A Lenda do Sol e da Lua é uma das mais conhecidas entre o povo Desana, da região do Alto Rio Negro, na Amazônia.
Ela conta sobre a origem desses dois astros e como eles se tornaram tão importantes para a vida na Terra.
Há muito tempo, o céu e a terra eram unidos, e os seres viviam próximos aos deuses. Entre eles, havia dois irmãos, filhos do Criador: um rapaz forte e ousado, e uma jovem bela e curiosa. Os dois viviam juntos na aldeia, mas eram diferentes no espírito.
O irmão tinha o corpo quente, radiante, e brilhava como o fogo. Sua luz iluminava tudo ao redor, mas também podia queimar. A irmã tinha o corpo frio e suave, emitindo um brilho prateado que acalmava os seres da noite. Apesar disso, ainda não existiam o dia e a noite como conhecemos — tudo vivia em uma claridade constante.
Certo dia, durante uma grande festa, os dois foram separados. O irmão subiu ao céu, carregando consigo o calor e a luz intensa, e transformou-se no Sol, senhor do dia. A irmã, por sua vez, seguiu um caminho diferente, afastando-se para que não se encontrassem de frente, e tornou-se a Lua, senhora da noite.
Desde então, eles percorrem o céu sem jamais se cruzarem diretamente. Quando o Sol aparece, a Lua se esconde. E quando a Lua reina, o Sol descansa.
Os Desana dizem que essa separação mantém o equilíbrio do mundo, permitindo que haja tempo para trabalhar sob a luz do dia e tempo para descansar sob a luz suave da noite.
E assim, o Sol e a Lua continuam sua dança eterna, lembrando a todos que, embora diferentes, ambos são necessários para que a vida floresça na Terra.