A lenda Yanomami de Omama e Yoasi é uma das histórias mais antigas e importantes do povo, pois explica a origem do mundo e das regras que guiam a vida na floresta.
Há muito, muito tempo, quando a Terra ainda era jovem e o céu ficava mais perto do chão, nasceram dois irmãos: Omama e Yoasi.
Omama era sábio, paciente e amigo dos espíritos da floresta. Ele entendia a língua dos ventos, conhecia o caminho das águas e sabia ouvir o canto dos xapiri, os espíritos protetores. Seu irmão, Yoasi, era curioso, impetuoso e um pouco trapaceiro. Gostava de experimentar o que não conhecia, mesmo sem pensar nas consequências.
Os dois receberam de Tëpërësiki, o ser supremo, a missão de moldar o mundo. Juntos, criaram os rios que serpenteiam a Amazônia, as montanhas que tocam as nuvens, e espalharam as árvores e os animais pela floresta.
Mas, enquanto Omama fazia tudo com cuidado e equilíbrio, Yoasi agia por impulso. Foi ele quem soltou demais as águas, causando as primeiras enchentes. Foi ele quem espalhou espinhos pelas plantas e deu presas afiadas a certos animais.
Um dia, Yoasi, tentando imitar o irmão, quis criar pessoas. Mas errou: delas nasceram as doenças e a morte. Omama, vendo o que o irmão havia feito, decidiu criar os Yanomami a partir da argila sagrada das margens do rio. Soprou sobre eles o sopro da vida e lhes deu os conhecimentos para caçar, plantar e conversar com os espíritos.
Omama também ensinou os xamãs a usarem o pó da árvore yãkoana para chamar os xapiri e proteger a aldeia. Disse que a floresta era viva e que, se cuidassem dela, ela sempre cuidaria de seu povo.
Yoasi, ressentido, afastou-se para viver entre os espíritos enganosos, mas sua influência ainda está no mundo: é ele quem envia as doenças, as brigas e os desastres.
Assim, até hoje, os Yanomami lembram que o equilíbrio da vida vem de Omama, mas as dificuldades vêm de Yoasi. E os xamãs, herdeiros do ensinamento de Omama, continuam a lutar contra as armadilhas do irmão trapaceiro, para manter viva a harmonia da floresta.