Lenda da Origem da Mandioca

Há muito tempo, quando o povo Baniwa ainda vivia em harmonia com os espíritos da floresta, não existia mandioca. As aldeias dependiam de frutos silvestres, caça e pesca, mas as épocas de seca traziam fome e sofrimento.

Em uma dessas épocas difíceis, nasceu uma menina muito especial, chamada Mani. Desde pequena, ela tinha a pele tão clara como a lua e um brilho nos olhos que lembrava a luz das estrelas. A menina não comia como os outros, vivia saudável sem precisar se alimentar de quase nada. Sua sabedoria também impressionava, pois parecia conhecer segredos antigos que ninguém lhe ensinara.

Um dia, Mani adoeceu sem explicação. Antes de morrer, ela chamou seus pais e disse:
— Não chorem por mim. Enterrem-me dentro da própria oca, e todos os dias molhem a minha sepultura. Um grande presente surgirá para alimentar nosso povo.

Os pais, tristes, obedeceram. Durante dias, regaram a terra onde Mani havia sido enterrada. Logo, do chão começou a brotar uma planta de folhas verdes e firmes. A cada semana, crescia mais forte.

Um ancião da aldeia, guiado por sonhos, decidiu cavar ao redor da planta e encontrou suas raízes grossas e brancas. Cozidas na água, eram macias e saborosas. Assim, o povo aprendeu que aquela raiz era um presente de Mani. Deram-lhe o nome de mandioca, “casa de Mani”, em memória da menina sagrada.

Desde então, a mandioca tornou-se a base da alimentação dos Baniwa e de muitos povos da Amazônia, lembrando que, mesmo na morte, o amor pode florescer e alimentar gerações.

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