Há muito tempo, nos primeiros dias da criação, os seres humanos viviam na escuridão e no frio. O fogo, essencial para cozinhar, aquecer e iluminar, não pertencia aos homens, era um segredo bem guardado por um ser poderoso, o Urubu-Rei (ou Inambu, em algumas versões), que o mantinha escondido no alto de uma montanha ou dentro de uma árvore sagrada.
Sem o fogo, os humanos comiam cru, tremiam de frio e não conseguiam espantar os espíritos maus durante a noite. Foi então que um herói astuto e transformador chamado Dzamaniké surgiu entre os Baniwa. Vendo o sofrimento de seu povo, ele decidiu que era hora de mudar o destino dos humanos e roubar o fogo para lhes dar uma vida digna.
Dzamaniké usou sua inteligência e magia para se transformar em vários animais e espionar o guardião do fogo. Depois de muito observar, ele descobriu onde o fogo era escondido: uma chama acesa dentro de um tronco oco, vigiada por aves e protegida por encantamentos.
Em um dia cuidadosamente escolhido, Dzamaniké se disfarçou de tamanduá — animal silencioso e curioso, e se aproximou do esconderijo. Com um golpe ágil, conseguiu apanhar uma brasa e correu com ela pela floresta. As aves gritaram e o céu escureceu de raiva. Relâmpagos cortaram o céu enquanto ele fugia.
Para proteger o fogo durante a fuga, Dzamaniké entregou a brasa aos animais da floresta. Cada um carregou um pedaço: o macaco, o gavião, o tatuzinho… até que a brasa chegou aos humanos.
Desde então, o fogo passou a habitar os lares das aldeias. Para os Baniwa, essa conquista representa a astúcia dos heróis transformadores e o direito dos homens a dominar os elementos da natureza, não por força, mas por sabedoria.
Moral da lenda:
O conhecimento, quando guiado pelo bem comum, pode transformar o mundo, mesmo que enfrente forças poderosas.